Entrevista para a revista Fotografe Melhor Jan/18

A revista Fotografe Melhor, tradicional publicação sobre fotografia, traz na edição de janeiro/2018 uma grande matéria sobre fotografia de arquitetura e interiores cujo entrevistado é este que vos escreve. Conversei por um longo tempo com o repórter e o resultado vocês podem conferir nas melhores bancas e livrarias do país.

Um bom set de lentes para arquitetura e interiores


Não só nos meus workshops, mas também no dia a dia, muitas pessoas me perguntam sobre equipamento. Fotógrafos interessados em ingressar no mercado de arquitetura e interiores sempre me perguntam quais lentes eu uso, qual a minha câmera, tripé, etc.

Bom… um fotógrafo profissional deve possuir um set de lentes que vá da grande angular mais aberta até a tele-objetiva mais fechada, variando marcas e tipos.
Um fotógrafo amador precisa de uma zoom que cubra um bom range e que possibilite fotos com profundidades de campo variadas.
Um fotógrafo ou profissional de arquitetura que deseja fotografar projetos, precisa basicamente de uma zoom grande angular e de uma lente fixa normal para os detalhes. A zoom grande angular servirá para cobrir os ambientes inteiros, pegando todo o mobiliário que compõe a cena, piso, paginação e detalhes do teto. A lente fixa servirá para focar detalhes que contextualizem o projeto, como objetos em cima de uma mesa, marcenaria, composições de interiores, etc.

As lentes variam de acordo com o tamanho do sensor da câmera. Se for APS, as distâncias focais sempre são menores, se o sensor for full frame, são maiores, então, como uso uma câmera full frame, segue abaixo o set que sempre carrego no meu caso:

Zoom grande angular Nikon 16-35 F4 VR
Lente normal fixa Nikon 50mm f/1.8D
Lente normal fixa Nikon 85mm f/1.8G

Quando fotografo projetos de arquitetura residenciais como casas de campo, casas de praia ou projetos comerciais como hotéis, galpões, etc, que são maiores e possuem áreas externas com tamanho suficiente para nos colocar acima de 10m da cena, levo também uma zoom tele-objetiva 70-200mm.

Para câmeras com sensor APS, como as DSLR de entrada ou as Mirrorless, a sugestão é que o range das grande-angulares cubra a distância de 10mm até 24mm, completando com uma objetiva fixa de 35mm para os detalhes.

Workshop fotografia de arquitetura e interiores junho/2015

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No dia 20 de junho de 2015 aconteceu a terceira edição do meu workshop “Fotografia de Arquitetura e Interiores” com a presença de 13 profissionais de arquitetura e design de interiores. Os profissionais aprenderam a regular corretamente as suas câmeras e também tiveram aulas com exemplos visuais de composição e enquadramento em arquitetura e interiores. A aula prática aconteceu no showroom da Vidrotil e todo mundo saiu feliz e confiante para seus próximos cliques 🙂
Fique de olho na página do workshop para saber quando haverá uma nova turma.

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Fotografia analógica continua firme e forte

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Estava eu fotografando um projeto com minha Hasselblad quando o cliente perguntou porque eu ainda fotografava com filme, sendo que o digital fornecia muito mais vantagens aparentemente.

De fato, aparentemente o digital oferece vantagens, tais como visualização instantânea da foto, possibilidade de erro e correção na hora do clique e um pós-tratamento que permite deixar uma foto razoável com aparência de profissional, porém, o filme tem algumas vantagens que o digital não alcançou ainda. Acredito que nunca alcançará, aliás.

Levando em consideração que sou um fotógrafo que aprendeu toda a base fotográfica com filme, posso afirmar que a fotografia analógica aprimora a técnica profissional muito mais que a fotografia digital. Veja só… para fotografar uma cena com uma câmera digital, há uma espécie de pseudo-segurança gerada pelo fator “erro/correção instantâneo” que faz com que o fotógrafo preocupe-se pouco ou quase nada com o resultado final, pois este pode ser manipulado a posteriori e isso gera em grande parte das fotos um produto final com falhas de posicionamento, enquadramento e exposição. Clica-se muitas vezes a mesma cena, com vários ajustes diferentes e depois edita-se na pós-produção.  Fotografando com filme, como sabe-se que aquele clique é muitas vezes a única chance, antes de disparar, existe todo um preparo adequado da cena, uma produção cuidadosa e meticulosa para que tudo saia exatamente como o objetivo e isso sempre produz imagens que beiram a perfeição, tanto técnica como artística. Este é um ponto.

Outro fator que me faz permanecer fotografando com filme são as cores e o alcance dinâmico que ele entrega. O filme lida infinitamente melhor com as sombras e as áreas de muita luz, reproduzindo tons de cinza e um branco inigualável. Peles ficam muito melhores com filme também e para ensaios com pessoas onde a temática é a reprodução de tons naturais, o filme mostra-se imbatível ainda nos dias de hoje.

A razão deste post não é afirmar que filme é melhor que digital. Um complementa o outro, pois existem situações em que o formato digital se sai melhor e vice-versa. O grande barato é poder continuar usando filme e produzir resultados fantásticos em conjunto com a, hoje normal, fotografia digital. Muitas pessoas me perguntam com começar na fotografia e eu digo sempre: compre uma câmera analógica, alguns filmes e aprenda. Quem sabe fotografar com filme, tira o digital de letra.